Os últimos dias têm sido tensos. Eu me preocupo com minha vida, com o que serei e como serei. Eu enxergo uma geração desbalanceada. Jovens muito ricos por pouca coisa e jovens que lutam muito por nada.
Sei que sou privilegiada pelo que faço, mas o tempo inteiro sinto que na verdade só estou fingindo que sei fazer alguma coisa, mas na verdade, estou perdida.
Tenho sugestões, as vezes, vontade de fazer acontecer, mas não consigo. Posso enganar várias pessoas, mas não consigo enganar a mim mesma. Acho que talvez essa seja a sensação de estar em uma profissão que você não aprecia.
Geralmente costumo ser muito confiante com as coisas que faço e trago resultado, mas tenho me sentido a cada dia mais insegura e com mais medo.
Cancelei todos os meus cartões de crédito, mas ainda queria muito comprar um notebook. Eu não sei gerenciar meu dinheiro, minhas ambições, minha vontade de crescer. Não consigo me dar forças para buscar pelos meus sonhos e estou constantemente com medo e me afogando enquanto as outras pessoas se movem ao meu redor.
Um ano que se passa, passa com uma agilidade absurda. A essa altura, no outro ano, eu já estaria em Enablement. É uma sensação estranha pensar que faz tanto tempo e ainda assim, sinto que não sei nada, nada.
Quem seria o Villa hoje se estivesse onde estou?
Estou feliz que finalmente conseguimos resolver os furos de HH. E tivemos ideias incríveis. Espero que no futuro, elas se tornem concretas e de fato, saiam do papel.
Eu me sinto constantemente triste e cansada, mas tenho muito, muito medo de estar no túnel que o pai da Rafa viu e me contou. Estou me esforçando para não estar aqui, mas sinto que não sei o que significa. Tenho buscado ouvir as pregações e tentar me mover, pra qualquer coisa que seja. Mas os dias sãos os mesmos, os pensamentos, horas e conversas. Os mesmos.
Agora a Yndi tá saindo da Estante e eu estou muuuito triste por isso, mas também, muito orgulhosa. Era meu único apoio na supervisão.
Tenho que comprar as passagens para o casamento do Miguel e não tenho mais cartão de crédito. Parabéns pra mim.
De qualquer modo, é fato que não estou conseguindo evoluir Blue, agora que o Nam recuperou suas memórias. Acho que no fim, eu tenho medo das nossas versões atuais. De pessoas completamente diferentes, de uma garota que o conhece mais do que ele conhece a mim. Eu só queria que fossemos pessoas normais, com a oportunidade de serem felizes como qualquer outro.
Eu sinto falta dele de um jeito estranho, porque nunca estive com ninguém, mas ainda sei que é uma promessa. Eu aprecio sua voz e seu talento e olhar pra ele me dói mais do que me faz feliz na maior parte do tempo, porque ele não está aqui. Ele está longe o suficiente para não ouvir minha voz, como eu escuto a dele.
Quero com todas as forças buscar novas iniciativas, ser ousada de novo e chamar a atenção dele de alguma maneira. Mas a verdade é que, talvez eu não seja mais tão corajosa assim.
Eu tenho vontade de ir as corridas de Fórmula 1 com ele, de conhecer Florença e tudo mais que pra ele, tem significado. Eu quero ser alguém além de mim mesma. E amar algo além do que eu amo.
Eu quero me ver pelos olhos dele e pela primeira vez na vida, me amar de verdade.
Eu quero ser feliz sem ter que me preocupar em sobreviver. Quero ser normal, fora do padrão de hoje em dia. Quero tantas coisas… mas conheço minha capacidade. E nos últimos 2 anos, sei que não sou capaz de nada. Não aqui dentro. Não aqui dentro.
Onde quer que esteja, venha me salvar. Onde quer que esteja, me dê um sinal. Você, exatamente do jeito que está é um sinal pra mim, que defini há quase quatro anos atrás em uma terça-feira. Você é a senha do meu cartão de crédito, é a minha grande experiência e minha grande raison d'etre. Eu fiz isso porque sabia que eu poderia esquecer, e eu não quero.
Quero que todos os dias eu tenha que usar, mesmo que inconscientemente, a memória da verdade. De que somos eu e você e nada mais. De que eu ainda posso ser feliz antes que a verdadeira felicidade venha. De que essa vida ainda tem muito mais para oferecer nos próximos 20 anos e que esse muito, tem seu nome.
Você está com o cabelo preto há quanto tempo, Joonie? Já notou que talvez isso seja um sinal pra você tanto quanto é pra mim?
Mude. Venha me ver.